poema primeiro
na tua ausência, habito casas vagarosas povoadas de espelhos incandescentes.
purifico o rosto, enquanto lume branco se anuncia por sobre a boca, retendo húmus impronunciado do teu nome, uma memória de cal e de terra.
poema segundo
na tua ausência, instruo o corpo para a fome e a sede, alimentando-me de poemas e outros frutos silvestres, os silêncio vegetal que emana das partes secretas do corpo, o desejo desalinhado os meus gestos breve e definitivos.
poema terceiro
na tua ausência, desperto no culminar das noites e espero o milagre da poesia, no exacto momento da eclosão das rosas e de outros animais carnívoros. Percorro os dias colhendo a luz nos lugares possíveis, trespassando-os horizontalmente
poema quarto
na tua ausência, vivo entre a terra e o céu circunscrevendo a minha respiração
a um rumor vegetal, busco santuário na tua memória e na consumação da palavra
fecunda colho os últimos frutos do corpo, antes de o abandonar aos pássaros.
poema quinto
na tua ausência, renuncio à pureza da alma e submeto o corpo
à ordem natural do mundo. coloco a máscara de um rosto perfeito com que me dou
a conhecer às mulheres e às crianças. por vezes sorriu subtilmente.
poema sexto
na tua ausência, expando o olhar para além da pele visível das pedras
perenes. cartografo os lugares da memória e todas as insinuações etéreas
da tua passagem. disponho biograficamente os fragmentos do teu nome indelével.
poema sétimo
na tua ausência, sossego o meu breve coração secreto e circunscrevo a alma aos limites do corpo, guardo a música que me restou do verão. procuro abrigo no ventre da terra e adormeço. uma memória de terra e cal. impronunciada.
Filipe Leal
quarta-feira, maio 31, 2006
na tua ausência
Postado por
Unknown
às
31.5.06
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9 comentários:
Realmente...este "Sonhoasul" deixa-nos sonhar....Muitos parabéns ! Voltarei com toda a certeza !
Suri
Bem estava a ver que este poema nunca mais acabava.
Ufa...
eheheh
Beijo.
Cada poema é um dia...
daniel
...e a ausência é esta forma de presença tão forte...
suri ... as portas do sonho estão abertas sejas bem -vindo
lisa os poemas nunca acabam...permanecem...
um beijo
daniel cada poema é um momento, um instante...
beijo
da. ainda bem que esta é uma ausência presente... beijo
DESCUBRO ALUCINADO ESTA POESIA E ESTE POETA!AINDA NÂO VI TUDO; NEM SEI SE TEM LIVROS PUBLICADOSOU SÒ NA GAVETA: MAS FICOU_ME A EXTREMA BELEZA DA LINGUAGEM! NESTAS COISAS NÂO SE DIZEM PARABÉNS;MAS:::
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