terça-feira, maio 09, 2006

Os teus pés

Quando não te posso contemplar
Contemplo os teus pés.
Teus pés de osso arqueado,
Teus pequenos pés duros,
Eu sei que te sustentam
E que teu doce peso
Sobre eles se ergue.
Tua cintura e teus seios,
A duplicada púrpura
Dos teus mamilos,
A caixa dos teus olhos
Que há pouco levantaram voo,
A larga boca de fruta,
Tua rubra cabeleira,
Pequena torre minha.


Mas se amo os teus pés
É só porque andaram
Sobre a terra e sobre
O vento e sobre a água,
Até me encontrarem.



Pablo Neruda

5 comentários:

sugcrasis disse...

O Poeta Pablo Neruta tinha um fetiche. Sim, sim! Isto porque ele nunca conheceu pessoas com garras nos pés, ou nos dedos, no lugar de unhas...
Lembras-te?
Ou será que ele também conseguiu ver as asas de quem queria bem?
sugcrasis

melchom disse...

o Neruda também tinha um Carteiro que andava de bicicleta e

que, coitado, nunca aprendeu a voar... por isso estatelou-se... mas insistiu... insistiu... e pulou a cerca!!!!!

ehehehehehhhe
( com muitas labaredas pelo meio )

daniel sant'iago disse...

Eram as mãos...
São os pés...
Pretextos para reafirmar o amor!
daniel

ailéh disse...

daniel
são os sentidos mais aguçados...MAIS SENSITIVAMENTE SENSÍVÉIS... tudo serve de (pré) textos.. e se forem pra reafirmar o amor... melhor...
um beijo

ailéh disse...

sugcrasis ... poeta sem fetiche... não poetisa...sou da opinião que neruda não veria garras nos pés de ninguém... mas sim a beleza da planta , do tornozelo ou dos dedos..

aquele beijo