quarta-feira, julho 12, 2006

não te dispas e solta-me os dedos
permissão e doação que te
desperte
entorpeça
alerte
desaperte
desça em deslize
suba contra represas
nua sim
não porque te despiste
sim porque te desnudei
nua enfim

daniel,neste espaço


Dispo o vestido que não uso,
mostrando as cicatrizes que resiste
ao tempo que deixou de ser tempo.
E tu, tocando em silêncio o passado,
gritas com tuas mãos o agora.

O'sanji,neste espaço


foto.Yuri B.

sexta-feira, julho 07, 2006

silêncio

O silêncio sobe
da pedra
morno
sobe ao horizonte

nada
perturba o tacto dos dedos
A brisa da nossa noite
avança dócil
uma vaga de choupos submerge-a
perfume de goivos
o rolar doce dos turbilhões

aqui construimos para o riso
a morada e nós
nós partiremos a par
de uma fuga de luz
no horizonte


Mohammed Bennis

quinta-feira, julho 06, 2006

julho

O verão
prossegue.
A exuberância
aproxima-se
do meteorito
lento
das águas
do verão.

Maria do Sameiro Barroso in Rósea Litania

terça-feira, julho 04, 2006

reflexos

olho-te pelo reflexo
do vidro
e o coração da noite
e o meu desejo de ti
são lágrimas por dentro,
tão doídas e fundas
que se não fosse:
o tempo de viver;

e a gente em social desencontrado;
e se tivesse a força;
e a janela ao meu lado
fosse alta e oportuna,
invadia de amor o teu reflexo

e em estilhaços de vidro
mergulhava em ti.

Ana Luísa Amaral In Anos 90 e Agora

foto: Graça